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Há domingos que parecem iguais a tantos outros. E há este. Hoje a Igreja inteira ajoelha-se diante de um dos mistérios mais bonitos da nossa fé: a vinda do Espírito Santo. E o Evangelho que ouvimos é, ao mesmo tempo, uma promessa antiga e uma promessa que continua a cumprir-se em cada coração que se deixa tocar.
Evangelho — São João 14, 15-16. 23b-26
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Se Me amais, guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará outro Defensor, que estará sempre convosco. […] Se alguém Me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. […]
Isto vos digo enquanto estou convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, Ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse.»
Palavra da Salvação.
Uma reflexão pastoral, ao vosso jeito
Reparem numa palavra que Jesus repete: Defensor. Em grego, Paráclito — aquele que é chamado para estar ao nosso lado. Não um juiz, não um fiscal. Um defensor. Um advogado do coração.
Jesus, ao despedir-Se dos Apóstolos, não os deixou órfãos. Sabia que iam ficar com medo, com saudade, com aquela sensação tão humana de quem perde alguém amado. E por isso prometeu: “Não vos deixarei sozinhos. Outro virá.” Esse Outro é o Espírito Santo, que hoje celebramos.
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E o que faz o Espírito? Jesus diz-nos com toda a simplicidade: “Ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse.” Repare-se que ensinar e recordar são, no fundo, dois movimentos de uma mesma ternura. Ensina-nos o que ainda não sabemos. Recorda-nos o que já sabíamos mas tínhamos esquecido. Quantas vezes, na vida, precisamos de alguém que nos lembre o essencial?
O que isto tem a ver consigo, hoje
Há dias em que rezamos e sentimos como se as palavras caíssem no chão. Há semanas em que a fé parece encolher. Há momentos em que ninguém em casa percebe o que vai dentro de nós. É precisamente aí que o Espírito age. Não com trovões. Não com cinema. Mas com aquele pequeno clique interior em que, de repente, fazemos as pazes com alguém. Em que decidimos perdoar. Em que escolhemos esperar mais um dia.
O Espírito Santo não veio só uma vez, sobre os Apóstolos, no Cenáculo. Veio para ficar. Está em si, neste momento, enquanto lê estas palavras. Não está de fora. Está dentro.
A morada que Deus quer fazer em nós
Há uma frase neste Evangelho que muitas vezes passa despercebida e que me toca particularmente: “Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada.”
Deus quer fazer morada em si. Não de visita. Morada. Como quem desfaz as malas, pendura o casaco, fica para jantar. Que coisa tão extraordinária. O Criador do Universo quer ficar consigo, na sua cozinha, no seu sofá, no seu silêncio.
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Talvez hoje, neste Pentecostes, valha a pena parar um instante e dizer-Lhe simplesmente: “Senhor, entrai. A casa não está perfeita, mas é vossa.”
Aplicação para a vida
- Quando se sentir desorientado, peça luz ao Espírito Santo, em vez de tentar resolver tudo sozinho.
- Antes de uma decisão importante, faça silêncio e pergunte: “Espírito Santo, o que me quer dizer?”
- Reze esta semana, todos os dias, o Vem, Espírito Santo — basta um minuto.
Oração final
Vinde, Espírito Santo,
enchei os corações dos vossos fiéis
e acendei neles o fogo do vosso amor.Enviai, Senhor, o vosso Espírito,
e tudo será criado de novo,
e renovareis a face da terra.
Amém.
Que neste domingo de Pentecostes, o sopro de Deus encontre em si uma janela aberta.
Continue a sua leitura
Se este texto lhe tocou o coracao, aqui ficam outras leituras escolhidas a dedo para si:
- Oração a São Expedito para Causas Urgentes: O Santo que Disse Hoje
- Santo do Dia 1º de Abril: São Hugo de Grenoble — O Bispo da Humildade e da Penitência
- Oração a São Miguel Arcanjo: O Príncipe Celestial que Combate o Mal
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Para aprofundar, consulte tambem Catecismo — Espirito Santo. A Igreja em Portugal e Roma oferecem materiais diarios de oracao e formacao.

