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Hoje pensei muito em Bartimeu. Aquele homem à beira do caminho, sentado na poeira, com as suas mãos vazias estendidas. Ninguém o via. Era mais um cego entre tantos. Mas quando ouviu que Jesus passava, fez algo que muita gente “decente” achou inadequado: gritou.
E não gritou uma vez. Gritou duas. Quando o calaram, gritou mais alto.
A oração dos que não desistem
Há momentos na vida em que precisamos gritar a Deus. Não literalmente — embora alguns o façam, e está tudo bem. Mas no coração. Aquela oração visceral, sem palavras bonitas, sem fórmulas, que sai do fundo: “Senhor, ajuda-me. Não estou bem. Preciso de Ti.”
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E muitas vezes — sejamos honestos — o mundo à nossa volta tenta calar-nos. “Não chateies com isso. Há quem esteja pior. Cala-te.” Mas Jesus não tem pressa. Jesus não considera pequeno o pedido de quem sofre. Jesus pára.
Hoje, na sua tarde
Talvez ande há semanas, ou meses, a engolir alguma coisa. Uma dor que ninguém percebe. Uma cansaço que não passa. Uma pergunta que não consegue formular. Faça o que Bartimeu fez: grite por dentro.
Diga, em silêncio ou em voz alta: “Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim.” Não fica menos forte por o admitir. Fica mais filho.
Para terminar a tarde
Quando o sol descer, sente-se um momento com o terço na mão (ou só com as mãos juntas, se preferir). Diga uma única Ave-Maria. Devagar. E entregue à Mãe aquilo que ainda não conseguiu pôr em palavras.
Ela percebe. Os filhos não precisam de explicar tudo às mães.
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Boa tarde. E coragem.
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