InícioOlhar PortugalTorreense faz história: vence Sporting e leva Taça de Portugal

Torreense faz história: vence Sporting e leva Taça de Portugal

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O Torreense entrou no Jamor como azarão e saiu de lá com a Taça de Portugal nas mãos. No domingo, dia 24 de maio, os homens de Torres Vedras bateram o Sporting por 2-1, depois do prolongamento, e escreveram uma das páginas mais bonitas do futebol português.

Pela primeira vez em 86 edições, uma equipa de fora da I Liga levanta o troféu. Já não era pouco. Mas o que aconteceu a seguir, nas ruas de Torres Vedras, parecia o Carnaval que tinha sido adiado a chegar com três meses de atraso.

O golo madrugador que mudou o jogo

Logo aos quatro minutos, Costinha cobrou um pontapé de canto perfeito. Ao segundo poste, Kevin Zohi apenas teve de encostar para o fundo da baliza leonina. O Estádio Nacional ficou em silêncio. A claque do Torreense, essa, ficou em delírio.

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A vantagem aguentou-se até ao intervalo. O Sporting, claramente desconfortável, não conseguia furar a defesa concentrada da equipa de Luís Tralhão. O treinador montou um bloco baixo, paciente, à espera do contra-ataque certeiro.

Luis Suárez devolveu a esperança ao Sporting

Aos 54 minutos, Luis Suárez apareceu no sítio certo. Recebeu a bola num ressalto, rodou sobre Stopira e rematou colocado para o 1-1. A bola entrou e o Jamor respirou fundo. O troféu parecia voltar para o lado leonino.

Mas o Torreense não baixou os braços. Apertou nas marcações, lutou cada bola dividida e levou a final para prolongamento. Foi aí que entrou em cena a figura da noite.

Stopira, o capitão que escreveu o final perfeito

Já com o jogo a caminhar para os penáltis, aos 113 minutos, Maxi Araújo cometeu falta dentro da grande área. O árbitro mostrou vermelho ao uruguaio e marcou a grande penalidade. O Sporting ficou com dez. O Torreense ficou com uma oportunidade de ouro.

Foi o capitão Stopira, com a frieza de quem já viu de tudo no futebol, que pegou na bola. Colocou-a nos onze metros, respirou e atirou com classe. Rui Silva ainda saltou para o lado certo, mas a bola entrou. Era o golo da história.

70 anos depois da única final

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O Torreense já tinha estado numa final da Taça de Portugal. Foi na época de 1955/56, contra o FC Porto. Perdeu por 2-0. Setenta anos depois, a equipa de Torres Vedras voltou ao mesmo palco e fez aquilo que ninguém esperava. Tornou-se na primeira formação de um escalão secundário a conquistar a competição.

Para chegar ao Jamor, o conjunto orientado por Luís Tralhão eliminou a AD Correlhã, a Oliveirense, a Lusitânia Lourosa, o Casa Pia, a União de Leiria e o Fafe. Uma caminhada de seis jogos sem perder, sempre a crescer.

Europa garantida e dor de cabeça para o Benfica

A conquista da 86.ª edição da Taça de Portugal vale ao Torreense uma vaga direta na fase de liga da próxima Liga Europa. Para um clube que ainda luta pela subida à I Liga, é um salto enorme, financeiro e desportivo.

Há também um efeito colateral que ninguém em Lisboa esqueceu. O Benfica, finalista vencido da Liga, contava com a vaga europeia que sobraria se o Sporting ganhasse. Com a vitória do Torreense, as encarnadas perdem essa cadeira na Liga dos Campeões e ficam dependentes do desfecho do campeonato.

Torres Vedras entrou em festa até de madrugada

Mal o árbitro apitou o final, a cidade do Oeste entrou em ebulição. Buzinas, bandeiras azul e grená às janelas, tasquinhas a abrir portas para servir a multidão. O autocarro com a equipa chegou à Praça 25 de Abril já de madrugada e os adeptos não saíram do sítio.

Muitos comparam o ambiente ao do Carnaval, a marca maior de Torres Vedras, que este ano tinha sido afetado pelas chuvas. Como disse um adepto à saída do estádio, valeu a pena esperar.

Um conto de fadas com nomes próprios

Luís Tralhão tornou-se no primeiro treinador português a ganhar a Taça com uma equipa do segundo escalão. Stopira, capitão cabo-verdiano, entrou para a galeria dos jogadores que decidiram finais em Lisboa. Zohi assinou um golo que ficará no álbum do clube para sempre.

O Torreense ainda tem trabalho pela frente no campeonato. A subida à I Liga continua a ser o grande objetivo. Mas, aconteça o que acontecer, ninguém tira o que se passou no Jamor a 24 de maio de 2026. Uma final inesperada. Um vencedor inesquecível. E uma cidade inteira a celebrar o que parecia impossível.

Fonte oficial: RTP Notícias.

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