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Há títulos marianos que nos parecem antigos como a própria fé. Senhora do Rosário, Senhora de Fátima, Imaculada Conceição. E há um título que é, ao mesmo tempo, antiquíssimo no significado e novíssimo na celebração: Maria, Mãe da Igreja. Hoje, segunda-feira a seguir a Pentecostes, é o seu dia.
Não é coincidência. Foi o Papa Francisco, em 2018, que decidiu acrescentar esta memória ao Calendário Romano, precisamente no dia a seguir à descida do Espírito Santo. Quis dizer-nos, com este gesto: a Igreja nasceu naquele Cenáculo, e Maria estava lá. Como mãe.
Um título antigo, uma festa nova
A devoção a Maria como Mãe da Igreja vem dos primeiros séculos cristãos. Santo Agostinho, no século IV, já escrevia que Maria é “verdadeiramente mãe dos membros de Cristo, porque cooperou pelo amor para que nascessem na Igreja os fiéis”. Mais tarde, no Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI proclamou oficialmente Maria como Mater Ecclesiae, Mãe da Igreja — foi a 21 de novembro de 1964.
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Mas faltava ainda um dia próprio. Foi o Papa Francisco quem, em 11 de fevereiro de 2018, escolheu a segunda-feira após Pentecostes para esta memória obrigatória. Quis sublinhar: assim como Maria esteve no Cenáculo no nascimento da Igreja, hoje continua a estar — pela oração, pela ternura, pela paciência maternal — junto de cada batizado.
“Eis a tua mãe”
A raiz bíblica deste título está numa frase que o Senhor disse em cima da Cruz. Olhando para o discípulo amado, disse: “Eis a tua mãe” (Jo 19, 27). E nesse momento, dizem os Padres da Igreja, Jesus não falava apenas para João. Falava para todos nós. Maria não foi entregue só ao discípulo daquela tarde. Foi entregue à humanidade inteira, como mãe.
Repare-se na delicadeza do gesto: Jesus, em agonia, não pensa primeiro em Si. Pensa em deixar-nos uma mãe. É talvez a herança mais bonita que alguém pode deixar.
Maria no coração de Portugal
Em Portugal, esta dimensão maternal de Maria é vivida com uma intensidade rara. Fátima, claro. Mas também Nazaré, Sameiro, Penha, Lapa, Cabo Espichel, Senhora da Hora, Senhora da Boa Morte… nenhuma aldeia portuguesa fica sem o seu altar a Nossa Senhora. As avós ensinam o terço aos netos como se ensinassem a respirar. E em todos os santuários, no cair da tarde, ouve-se ainda o murmúrio velho: “valei-me, Senhora”.
Hoje, a Igreja universal junta-se ao coração português e celebra: Maria é mãe. Mãe da Igreja. Mãe nossa.
Ensinamentos para a vida quotidiana
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Maria não nos ensina a fugir do mundo. Ensina-nos a estar nele com fé. Em Caná, repara que falta o vinho — atenção ao detalhe. No Calvário, fica de pé — coragem na dor. No Cenáculo, reza no meio dos Apóstolos — comunhão. Em casa de Nazaré, esconde-se na vida simples — humildade.
Ser cristão é, em parte, aprender estes quatro gestos:
- olhar o outro como Maria em Caná;
- ficar ao lado de quem sofre, como Maria no Calvário;
- rezar com os irmãos, como Maria no Cenáculo;
- esconder-se em Deus, como Maria em Nazaré.
Curiosidade
Junto à praça de São Pedro, em Roma, existe um pequeno mosaico chamado Mater Ecclesiae, mandado colocar por São João Paulo II depois do atentado de 1981. Foi ali que se refugiou em oração depois de quase morrer. Quem por lá passa hoje vê, na parede da fachada do Palácio Apostólico, a Mãe de braços abertos sobre a Cidade Eterna. Mater Ecclesiae — Mãe da Igreja, e Mãe nossa.
Oração a Maria, Mãe da Igreja
Maria, Mãe da Igreja,
Mãe dada por Jesus ao pé da Cruz,
Mãe que esperaste com os Apóstolos no Cenáculo
a vinda do Espírito Santo,olhai com ternura para os vossos filhos.
Cobri com o vosso manto
esta família, esta paróquia,
a Igreja em Portugal e no mundo inteiro.Ensinai-nos a confiar como Vós confiastes,
a guardar no coração como Vós guardastes,
a dizer sim a Deus como Vós dissestes.Em todas as nossas Caná, fazei chegar o vinho.
Em todos os nossos Calvários, ficai de pé connosco.
Em todos os nossos cenáculos, rezai connosco.
E levai-nos, um dia, para casa,
para o coração do vosso Filho Jesus.
Amém.
Mensagem final
Hoje, ao começar a semana, lembre-se: tem uma mãe que olha por si do Céu. Não é metáfora. É realidade. Quando a vida apertar, basta erguer os olhos e dizer baixinho: “Mãe.” Ela ouve.
Que esta segunda-feira seja, para si e para os seus, uma segunda-feira ao colo de Maria.
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