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A Euribor voltou a subir esta quarta-feira em todos os prazos. A taxa a seis meses — a mais usada nos créditos à habitação em Portugal — fixou-se em 2,492%, mais 0,046 pontos do que na sessão anterior.
Para quem paga prestação ao banco, a notícia faz doer. E o mercado já antecipa que o Banco Central Europeu pode mexer outra vez nas taxas em junho.
Esta é a leitura simples do que mudou hoje, quem é afetado e quanto pode pesar no orçamento até ao fim do ano.
Quanto subiu cada prazo da Euribor hoje
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A subida foi geral. Os três prazos com mais peso no mercado fecharam todos em alta na sessão de 27 de maio de 2026:
- Euribor a 3 meses: 2,229% (+0,039 pontos)
- Euribor a 6 meses: 2,492% (+0,046 pontos)
- Euribor a 12 meses: 2,742% (+0,020 pontos)
Vista assim, a curva continua invertida na ponta curta — a taxa a três meses fica abaixo da taxa a seis e da taxa a doze. Sinal de que os bancos esperam pressão maior no médio prazo.
Porque é que a Euribor a 6 meses é a mais importante para si
Desde janeiro de 2024, a Euribor a 6 meses passou a ser a referência principal nos créditos à habitação com taxa variável em Portugal. Os dados mais recentes do Banco de Portugal, relativos a março, mostram a fatia que cada prazo representa:
- Euribor a 6 meses: 39,41% do total dos empréstimos
- Euribor a 12 meses: 31,62%
- Euribor a 3 meses: 24,65%
Por outras palavras: praticamente quatro em cada dez famílias com crédito habitação variável em Portugal estão indexadas precisamente ao prazo que mais subiu hoje.
Quanto pode subir a prestação no fim do mês
A revisão da taxa só acontece nas datas marcadas no contrato — de seis em seis meses para quem está indexado à Euribor a 6 meses. Quando essa data chegar, o banco aplica a média do mês anterior.
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Num exemplo simples, para um crédito de 150 mil euros a 30 anos com spread de 1%, cada décimo de ponto a mais na Euribor representa cerca de 8 a 10 euros por mês na prestação. Se a taxa subir meio ponto, falamos de quase 50 euros mensais — ou seja, 600 euros por ano que saem do bolso da família.
Para créditos maiores, contas de 180 mil euros, a fatura sobe na mesma proporção. Quem renegociou o spread em baixa nos últimos meses sente menos. Quem tem contrato antigo com spread alto fica duplamente exposto.
O que pode acontecer na reunião do BCE de 10 e 11 de junho
O Banco Central Europeu manteve as taxas diretoras na reunião de 30 de abril, depois de oito cortes consecutivos desde junho de 2024. Foi a sétima reunião seguida sem alterar nada.
Mas o mercado mudou de leitura. Os contratos futuros já apontam para um aumento das taxas diretoras na próxima reunião, marcada para 10 e 11 de junho, em Frankfurt. Caso se confirme, a Euribor a três, seis e doze meses tende a refletir esse movimento nas semanas seguintes.
Não é certeza — é cenário. Mas explica porque é que as taxas têm vindo a subir aos poucos nas últimas sessões.
O que pode fazer já para amortecer o impacto
Esperar de braços cruzados raramente é a melhor opção. Há passos práticos para quem tem crédito habitação variável e quer reduzir a pressão:
- Pedir uma simulação de transferência a outro banco — desde 2023 o regime é mais favorável e a portabilidade está facilitada.
- Renegociar o spread com o banco actual, sobretudo se já reduziu o valor em dívida abaixo dos 80% do valor da casa (LTV).
- Avaliar a passagem para taxa fixa — alguns bancos voltaram a oferecer fixas competitivas a 5 e 10 anos.
- Fazer amortizações parciais sempre que tiver folga, mesmo que pequenas. Cada euro pago reduz juros futuros.
- Consolidar créditos — se também acumulou crédito pessoal ou cartão, juntar tudo numa única prestação pode aliviar o mês.
Quando é a próxima revisão da sua prestação
A resposta está no seu contrato. Procure pela cláusula da “data de revisão” ou pela “data de início” do empréstimo. A partir daí basta contar de seis em seis meses (ou três, ou doze, conforme o indexante).
Na app do banco aparece quase sempre a próxima data marcada e a taxa que será aplicada. Se não encontrar, pergunte ao gestor de conta. Não custa um cêntimo perguntar — e poupa surpresas.
Como acompanhar a Euribor todos os dias
As Euribor são fixadas todos os dias úteis pela média das taxas a que 19 bancos da zona euro estão dispostos a emprestar entre si. A publicação é feita ao início da tarde.
Pode acompanhar a evolução diária no portal do Banco de Portugal, no site oficial euribor-rates.eu ou em portais financeiros portugueses como o ComparaJá, o Doutor Finanças ou o idealista/news.
Subir 0,046 pontos pode parecer pouco. Mas é o efeito acumulado, dia após dia, que faz a diferença ao fim do ano. E o crédito habitação acompanha de perto — para o bem e para o mal.
Fonte oficial: Banco de Portugal · Dados Euribor: Euribor-rates.eu

