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O Banco de Portugal travou 6,5 milhões de euros em fraudes nos últimos dois anos. Três ferramentas lançadas entre 2024 e 2025 conseguiram impedir transferências para contas burladas, num momento em que as mensagens com truque “Olá, pai” continuam a chegar todas as semanas aos telemóveis dos portugueses.
O número foi avançado pelo governador Álvaro Santos Pereira durante a conferência Fraude Digital: Detetar, Responder e Prevenir, no final de maio. A confirmação do destinatário, o sistema SPIN e o serviço de verificação de beneficiário passaram a estar disponíveis em quase todos os bancos portugueses — e mudaram a vida de quem antes carregava no botão “transferir” sem rede de segurança.
Como funciona a confirmação do destinatário
Lançada em maio de 2024, esta ferramenta mostra o nome real do titular da conta antes da transferência ser autorizada. Basta inserir o IBAN para o nome aparecer no ecrã. Se o burlão pediu o pagamento em nome do filho mas o IBAN pertence a “João Manuel Silva”, o cliente percebe a tempo de cancelar.
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A medida funciona em transferências SEPA e SEPA Instantâneas. Os bancos foram obrigados a integrar o serviço para cumprir as regras europeias de combate à fraude — e os números mostram que valeu a pena.
SPIN e verificação de beneficiário completam o pacote
Em junho de 2024 chegou o SPIN, que permite enviar dinheiro usando apenas o número de telemóvel ou o NIF. O sistema cruza os dados com a base de beneficiários verificados, evitando que o utilizador escreva um IBAN errado ou caia em IBAN forjado por terceiros.
Já em outubro de 2025 estreou o serviço de verificação de beneficiário, que reforça a camada anterior com validação cruzada entre instituições. As três ferramentas trabalham em conjunto e cobrem praticamente todas as transferências domésticas.
Burlas “Olá, pai” caíram de 60% para 16%
Os dados apresentados são impressionantes. Em 2023, as fraudes em que o burlão se faz passar por familiar — o típico SMS “perdi o telemóvel, transfere já para este IBAN” — representavam 60% de todas as transferências fraudulentas em Portugal.
Em 2025, esse mesmo tipo de burla caiu para 16% do total. Nos primeiros cinco meses do ano passado, as fraudes com manipulação do remetente recuaram 21% face ao mesmo período de 2024, quando a confirmação de destinatário ainda não existia em todos os bancos.
O que pode fazer agora para se proteger
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O Banco de Portugal recomenda quatro cuidados imediatos antes de qualquer transferência:
- Confirmar sempre o nome que aparece no ecrã antes de validar com chave móvel digital ou código SMS.
- Desconfiar de pedidos urgentes feitos por WhatsApp, SMS ou e-mail, mesmo que pareçam vir de familiares.
- Ligar para o número habitual do filho, pai ou amigo antes de enviar dinheiro, mesmo que o pedido pareça verdadeiro.
- Nunca partilhar códigos de autenticação por telefone, ainda que o interlocutor diga ser do banco ou da polícia.
Caso já tenha caído em burla, contacte de imediato o banco e participe o caso à PSP ou à GNR. Quanto mais cedo for feita a denúncia, maior a hipótese de travar o dinheiro antes de ser levantado.
Promessas falsas de emprego e investimento continuam a crescer
Apesar da boa notícia, o Banco de Portugal alerta que outras formas de fraude estão a aumentar. As burlas com falsas promessas de emprego no estrangeiro e os esquemas de investimento em criptoativos cresceram ao longo de 2025, com perdas médias por vítima superiores a três mil euros.
O regulador recorda que nenhum recrutador legítimo pede transferências para “garantir” um posto de trabalho. E que nenhuma plataforma de investimento séria contacta clientes através de chamada telefónica ou Telegram a prometer lucros rápidos.
Plataforma única de combate à fraude está a caminho
O governador anunciou ainda que está em preparação uma plataforma nacional que vai juntar bancos, autoridades e operadoras de telecomunicações no combate à fraude digital. A ideia é cruzar dados em tempo real e travar transferências suspeitas antes mesmo de saírem da conta.
A nova ferramenta deverá arrancar ainda em 2026 e promete ir além dos 6,5 milhões já evitados. Para os portugueses, significa mais uma camada de proteção num cenário em que cada SMS suspeito pode esconder uma armadilha.
Por enquanto, o conselho mantém-se: olhar duas vezes para o nome que aparece no ecrã antes de carregar em “confirmar”. Esse simples gesto está a salvar milhões — e pode salvar também as suas poupanças.
Fonte: Observador e Banco de Portugal.

