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Os Certificados de Aforro voltam a render mais. A taxa-base para as novas subscrições feitas em junho sobe para 2,215%, o valor mais alto em quase um ano e a terceira subida consecutiva, segundo os cálculos do IGCP divulgados esta quinta-feira pela imprensa económica nacional.
A subida pode parecer pequena — apenas mais 0,02 pontos percentuais face a maio (2,195%) —, mas confirma a tendência ascendente que está a fazer milhares de famílias portuguesas regressar a este produto de poupança garantido pelo Estado.
Quem decidir aplicar dinheiro em junho leva, portanto, uma taxa que compara muito bem com os depósitos a prazo dos bancos. Mas convém ler as regras antes de carregar no botão.
Como se chega aos 2,215% nos Certificados de Aforro
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A taxa-base dos Certificados de Aforro é calculada uma vez por mês, no antepenúltimo dia útil, e depende da média da Euribor a três meses nos dez dias úteis anteriores. Para junho, essa média situou-se em 2,2148%, arredondada para 2,215%.
O movimento reflete sobretudo a evolução da Euribor desde o início do conflito no Irão. A 27 de fevereiro, antes dos ataques, esta taxa estava em 2,013%. A 13 de maio já tinha disparado para 2,28%, antes de aliviar ligeiramente com as notícias sobre o acordo de paz.
Há, no entanto, dois limites legais: a taxa-base nunca pode ser superior a 2,5% nem inferior a 0%. Estamos, portanto, muito perto do teto possível.
Por que é que os portugueses estão a voltar aos Certificados
O regresso à poupança do Estado tem uma explicação simples: os depósitos a prazo continuam a render pouco.
Segundo os últimos dados do Banco de Portugal, as novas aplicações a prazo renderam, em média, apenas 1,42% em março. Em comparação direta, os Certificados de Aforro pagam quase um ponto percentual a mais — e com a garantia do Estado.
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O resultado está à vista. Só em abril, as famílias portuguesas aplicaram mais de 500 milhões de euros em Certificados, em termos líquidos de resgates. Foi o montante mais elevado dos últimos doze meses.
Quanto pode aplicar e a partir de quanto
As regras da Série F mantêm-se inalteradas:
- Investimento mínimo: 100 euros.
- Limite máximo por aforrista: 100 mil euros.
- Juros calculados trimestralmente e capitalizados de forma automática.
- Possibilidade de resgate antecipado a partir do primeiro vencimento de juros.
A subscrição é simples e pode ser feita online no portal AforroNet, nos balcões dos CTT ou através de uma agência bancária aderente.
Os prémios de permanência fazem a diferença
Os 2,215% são apenas o ponto de partida. À taxa-base juntam-se prémios de permanência que aumentam consoante o tempo que o dinheiro fica aplicado:
- Do 2.º ao 5.º ano: mais 0,25%.
- Do 6.º ao 9.º ano: mais 0,50%.
- No 10.º e 11.º ano: mais 1%.
- No 12.º e 13.º ano: mais 1,50%.
- No 14.º e 15.º ano: mais 1,75%.
Significa que quem deixar a poupança quieta durante mais tempo pode chegar a taxas próximas dos 4%, especialmente se a Euribor se mantiver acima dos 2% nos próximos anos.
Os Certificados batem a inflação? Ainda não
Apesar da subida, a taxa de 2,215% continua aquém do ritmo dos preços. A inflação homóloga em Portugal acelerou para 3,3% em abril, segundo o INE. Quem aplica em Certificados ganha mais do que num depósito a prazo, mas perde poder de compra real.
Por outro lado, está-se a falar de um produto sem comissões de subscrição, sem custos de manutenção e com a garantia da República. Para muitos pequenos aforristas, é o equilíbrio possível entre liquidez, segurança e rendimento.
Junho pode ser o mês para abrir conta de Certificados
A combinação de fatores joga a favor de quem aplica agora. A taxa de junho está perto do limite legal, os depósitos continuam a render pouco e os Certificados voltam a estar na boca dos noticiários financeiros.
Quem já tem Certificados antigos — das séries B, D ou E — não vê alteração: cada série tem uma fórmula própria de cálculo. A nova taxa aplica-se apenas às subscrições feitas durante o mês de junho na Série F.
A confirmação oficial da taxa será publicada pelo IGCP no início da próxima semana, no portal igcp.pt, onde também é possível consultar a ficha técnica da Série F e as tabelas de reembolso.
O que fazer agora
Para quem ainda não tem Certificados, basta ter Número de Identificação Fiscal e uma conta bancária à ordem. A subscrição no AforroNet leva poucos minutos. Para quem já é aforrista, a única ação necessária é confirmar se vale a pena reforçar a aplicação durante o mês de junho.
Para quem tem dinheiro parado num depósito quase a render zero, a conta é simples: 2,215% líquidos de comissões batem qualquer prazo do segmento de retalho. Falta apenas saber se o conflito no Irão e a evolução da Euribor vão continuar a empurrar a remuneração para cima — ou se julho será um mês de pausa.
Por agora, o sinal é claro. Os juros dos Certificados estão a subir e estão a poucos décimos do teto legal. Quem quer aproveitar o momento tem o mês de junho à frente.

