Publicidade
A inflação em Portugal manteve-se nos 3,3% em maio de 2026, igualando o valor de abril, segundo a estimativa rápida divulgada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Por trás dos números aparentemente calmos, a fatura da energia continua a apertar as famílias.
Os produtos energéticos voltaram a subir, desta vez 13,2% face a maio do ano passado — a maior aceleração desde dezembro de 2022. Já o cabaz alimentar não transformado deu um suspiro, com a subida a abrandar de 7,5% em abril para 5,7% no mês passado.
Os dados definitivos só são conhecidos a 12 de junho, mas a fotografia já permite perceber o que está a pesar mais no orçamento doméstico.
Inflação em Portugal: o que dizem os números do INE
Publicidade
A estimativa rápida do INE confirma que o ritmo geral de subida dos preços ficou em 3,3% em termos homólogos. Em cadeia, ou seja, comparando com abril, houve uma ligeira variação de 0,1%.
O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), usado para comparações na zona euro, abrandou de 3,3% para 3,1%. Esta divergência mostra que Portugal continua a viver uma inflação acima da média europeia, com Bruxelas a manter o objetivo de 2%.
Energia volta a ser o vilão da fatura
O capítulo da energia é o grande responsável por manter a pressão sobre o bolso. A subida homóloga de 13,2% inclui combustíveis, eletricidade e gás natural, e supera os 11,7% registados em abril.
É a leitura mais alta em quase três anos e meio. Para uma família média que gasta 150 euros por mês em luz e gás, este aumento traduz-se em cerca de 240 euros adicionais por ano face a maio de 2025.
Alimentos travam, mas continuam a custar mais
A boa notícia chegou pelo cabaz alimentar. Os produtos não transformados — frutas, legumes, peixe fresco e carne — subiram 5,7% em termos homólogos, abaixo dos 7,5% de abril. É a primeira vez em vários meses que a categoria desce de forma significativa.
Publicidade
Mesmo assim, fazer compras em maio ficou mais caro do que há um ano. A travagem dá fôlego, mas o impacto acumulado dos últimos meses já está incorporado nas etiquetas dos supermercados.
Inflação subjacente repete os 2,2%
A chamada inflação subjacente, que retira do cálculo a energia e os alimentos não transformados (componentes mais voláteis), ficou nos 2,2% pelo segundo mês consecutivo. Este indicador é o preferido do Banco Central Europeu para avaliar a tendência de fundo dos preços.
Ler estes dois números em conjunto ajuda a perceber a realidade: a inflação de fundo está controlada, mas as oscilações da energia continuam a desviar o resultado final para cima.
O que isto significa para o orçamento das famílias
Com a média dos últimos 12 meses a passar de 2,4% para 2,5%, o impacto no poder de compra é real. Alguns pontos a ter em conta:
- A revisão automática de pensões e prestações sociais para 2027 vai usar esta média como referência.
- As rendas com contratos sujeitos ao coeficiente de atualização podem subir mais do que se previa.
- Quem tem crédito habitação com taxa variável continua exposto às decisões do BCE, que vigia de perto este indicador.
- A fatura da luz e do gás natural deve manter-se elevada nos meses de verão, sobretudo com a procura de ar condicionado a aumentar.
Como aliviar o impacto no dia a dia
Existem decisões simples ao alcance de qualquer agregado para amortecer este cenário. Comparar tarifários de luz e gás é o primeiro passo — desde janeiro, mudar de comercializador deixou de ter penalizações. A ERSE disponibiliza um simulador independente em poupar.erse.pt que permite encontrar a oferta mais barata para cada perfil de consumo.
No supermercado, vale a pena trocar marcas próprias por marcas brancas, congelar produtos frescos em promoção e planear refeições com base no folheto da semana. Pequenas escolhas que, no fim do mês, fazem diferença.
Próximo passo: 12 de junho
O INE confirma os dados definitivos a 12 de junho. Até lá, fica a indicação de que a inflação não vai desaparecer tão cedo, sobretudo enquanto a fatura energética continuar a comportar-se como tem sido.
Para milhões de famílias portuguesas, a mensagem é clara: o respiro veio dos alimentos, mas a fatura do conforto em casa vai continuar a pesar. Vale a pena rever contratos, comparar preços e ajustar hábitos antes que o verão e o calor acelerem ainda mais o consumo energético.
Fonte oficial: INE — Estimativa rápida do IPC de maio de 2026.

